sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Chegados aqui, um Fado

                                            
                                            Cansado deste cansaço
                                            de esperar pela esperança
                                            pouco a pouco perco espaço
                                            já que a vida é um bem escasso
                                            que a morte cedo alcança.

                                           De tudo o que carrego
                                           em saco de peregrino
                                           ao que afirmo e ao que nego
                                           ao que vejo, ao que estou cego
                                           falta apenas o destino.

                                           Por apego ou por desleixo
                                           além do mar na minha frente
                                           de tesouro apenas deixo
                                           as mãos em concha em que fecho
                                           este amor por toda a gente.

                                           Guardo-o pedaço a pedaço
                                           esse amor que me não cansa
                                           e grito pelo seu abraço
                                           apesar deste meu cansaço
                                           de esperar pela esperança.

(Original da letra/poema oferecida ao bom Amigo e fadista  Jorge Morgado)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dourado e vermelho

R_620.jpg (480×640)

Hoje, ofereço-te uma romã !
   Merece-la em todo o seu significado...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sentença

mataram-norma1.jpg (293×279)

-Mataram o Rei ?
-Não, mataram um homem !
-Tens pena do Rei ?
-Não!
Tenho pena do homem .

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Posfácio

nada1.jpg (344×490)


E um dia, amanhã, perguntarei:
Que fizeste ?
E acharei, indubitavelmente, que fiz muito pouco
ou quase nada.
Nesse momento, terei a certeza de ter chegado ao fim.
Nesse  instante talvez levante as persianas e abra a janela
e à falta de melhor destino...salte.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Germinal



E aquela aragem fresca desperta-me do torpor.
Afinal ainda gosto de pensar
que as palavras podem ser borboletas procurando o doce
num jardim onde os jovens se beijam e excitam;
que existe quem as ouça e entenda
e malgrado o fingimento
vá perdendo pétala a pétala a sua corola
abrindo com prazer o gineceu.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Intempestivo


De uma furna onde
ainda esvoaçam emoções
renasce um tardio rio de lava;

um espanto no entardecer
em que o sol se demora um pouco mais
no aguardar da noite certa.

Já não existem promessas de manhãs
e das tardes só já a recordação;
certo  só o sol que arrefece no horizonte.

Mas tanta cor excita  tanto calor embriaga
e o moroso movimento hipnotiza
e celebra-se a volúptia por o vulcão
ainda não estar extinto.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ínsito


Posso estar ferido mas estou vivo
e enquanto vivo, luto !

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Angústia e lamento


...e pressentindo que ele me foje...

quero dar-lhe as mãos,
apertá-lo contra o peito,
ensinar-lhe tudo o que sei,

mas não me deixam...

e eu que queria tanto
falar-lhe sobre as árvores...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Só por ti...um soneto

Doeu-me tanto a tua dor não sendo minha...
Muito mais que sendo minha doesse...
Mas as minhas dores eu já não sinto,
doem-me as tuas e disso muito padeço.

Não me dói a carne, dói-me por dentro.
Eu sei do que falo, já lá passei
Por essa terra de tormento,
do esquecimento, eu sei!

Mas tens aqui a minha mão e a minha força
O meu peito e a minha voz para gritar
Não só a minha, de todos , a nossa

Aquela voz antiga que nos traça
o destino de seguir em frente, de lutar
e destingue os homens da nossa raça.

domingo, 8 de maio de 2011

Estigma



Não posso recordar o que não sofri
mas posso pressentir a angústia e
a dor dos que sofreram.

Tirei fotografias ao passado e
revelei-as aqui dentro
sairam nítidas    a preto e branco,
sempre a preto e branco
como a tortura e a dor punjente.

Por muito que se seja forte, dói !
Dói sempre e violenta !

Aqui nunca voam as recordações,
tudo fica, perene,
a marcar de ferrete
toda uma memória.

Abril, 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Imperativo

...reencontrar rápidamente o mar
que me afogo de tanta terra.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um olhar estilhaçado


Um horizonte de facas !
Apesar do Sol nas esplanadas
todos vão beber sumos azedos;
até os rebuçados das crianças
serão imagináriamente doces.

E julgavamos nós que as pedras
da rua seriam de açucar e
que o Sol seria quente e não gelado;
e que as mãos dos homens seriam
gavinhas entrelaçadas quando
acordamos naquela manhã e vimos
que afinal o céu era verde.

Também não era de esperar outra coisa.
O céu era habitualmente cinzento
escuro quase negro
e embora as gentes gritassem de
várias cores só uma se sobrepunha
- o cinzento escuro quase negro.

Tudo isto já era só memória
até hoje... continuam as gentes
a gritar de várias cores mas
as facas no horizonte de afiado fio
lembram-nos o cinzento quase
negro de outros tempos
em que as gavinhas eram decepadas.

2011

domingo, 13 de março de 2011

Desengano



Continuo a procurar-te colmeia
para te crestar o mel,
mas só encontro vespeiros...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Que bom conseguir olhar-te

...e encontrar-te ...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Recusando desistir


...olhou o mar tão perto
e desenhou os seus desejos dourados na espuma das ondas.

(Imagem: acrílico s/tela)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Em dia de reflexão

(Imagem: Pintura em acrílico sobre tela e pasta)